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Abr 06
- Que trazes nessa caixa, pequena dama deslumbrante?
- Quem és tu? Perguntava ela,
- Sou um mero viajante,
- Que trazes nessa caixa, harmoniosa flor de encanto,
- São beijos senhor, são beijos, que te abraçam, que te acolhem no seu manto,
- Mas beijos? Dentro de uma caixa?
- São pequenos meu senhor, se tentar nem os acha,
- Então que trazes mais nessa caixa, linda donzela de pele rosada,
- É vontade senhor, é vontade de ser amada,
- Mas vontade minha bela, vontade não é fruto do desejo?
- Desejo senhor? Disso ñ tenho, aqui trago vontade e o beijo,
- E que mais trazes nessa caixa? Princesa de sonhos encantados?
- É paixão meu senhor, paixão para os enamorados,
- Mas que caixa tão estranha, mas tens tudo nesse cubo de papel?
- Tudo ñ meu senhor, apenas vontade, paixão, beijos e outras coisas k ñ se sentem pla pele
- Mais? E que mais, doce encanto, pedaço de silencio, grãozinho de paz
- Trago liberdade senhor, liberdade, ñ pra quem a prega, mas pra quem a faz,
- Trago o respeito, trago força, trago alegria e felicidade, tenho aqui a ilusão, do mais puro sonho, e o acordar na mais pura realidade….
- Trazes tanta coisa flor do mais maravilhoso dia,
- Trazes amor, trazes respeito, e também trazes alegria?
- Sim meu senhor, alegria tenho-a aqui dentro, trago a luz do dia, a mais pura fantasia, trago cada segundo, em momentos de ironia.
- Mas a ironia ñ é má, ñ se esquiva das verdades?
- Verdades senhor? As palavras não se esbatem em verdades ou mentiras, também trago ouro, prata e safiras.
- Mas que caixa maravilhosa, isso tem o mundo aí no interior?
- O mundo é demasiado grande para caber aqui dentro senhor,
- Mas conta-me, o que tens mais nessa caixa, sou hiper curioso,
- Trago justiça senhor, capaz de desmascarar o ser mais habilidoso,
- E o sonho? Pequena infanta de histórias de banda desenhada.
- O sonho é muito pouco senhor, o que quero é ser amada,
- Mas quem te deu essa caixa? Algum Deus? O teu Deus?
- Eu ñ tenho Deus senhor, estes são desejos meus,
- Como assim?
- Tenho desejos e guardo-os na minha caixa, que me acompanha a mim,
- Mas ñ tem um Deus, ñ acredita no Criador?
- Ñ senhor, nem sei quem é, ou qual o seu valor,
- Mas conta-me mais…que tens nessa caixa, minha personificação da liberdade,
- Trago muitas chaves meu senhor, chaves que te tiram da saudade,
- Transporto várias chaves que deixam portas abertas, que abrem as masmorras onde esconderam um dia os verdadeiros profetas,
- Mas como sabes tu tanto, minha sábia menina de cabelos dourados,
- Já vivi muito senhor, faço parte dos poucos que já foram verdadeiramente amados,
- Mas há pouco dizias que tinhas vontade de ser amada,
- Pois é, um dia já o fui…depois ficou o nada,
- Desilusões de amor, pequena beldade, ele ñ te merecia,
- Ñ diga isso senhor, se isso lhe acontecesse era isso que lhe diria, mas ñ por respeito, não para que fique com sua alma cristalina e serena, apenas porque quem já o sentiu…diz isso por mera pena.
 - Surpreendes-me, apaixonas-me com a tua sabedoria,
- Ñ é sabedoria senhor, é vontade de ser amada, como a mais linda alegoria,
- Mas és linda princesa de encanto, teus olhos azuis lembram o mar,
- Talvez senhor, talvez, mas ainda vou guardando desejos na caixa, até que alguém me queira amar.
- Como te chamas soberana? Deves ter nome de beldade,
- Chame-me do que quiser meu senhor, faça o que entender, isso é a liberdade.
 
            Sem saber bem porquê tive vontade de a abraçar, de a levar dali, sei lá, sonhei em décimas um sonho de eternidade, eu e ela lado a lado, e sem que percebesse bem porquê, dei-lhe um beijo pequeno e doce… em um segundo que fosse…
 
- Que faz meu senhor… pare por favor,
- Desculpa princesa…sonhei e deixei-me levar pelo meu sonho, perdoa.
- Não faz mal senhor, eu gostei, mas o meu coração tem medo que mais tarde doa,
- Tens medo que parta, que me vá, como já antes o fizera, é verdade, já o fiz,
- Sim senhor, tenho medo de me transformar, em mais um dos seus caprichos, eu já sofri porque quis,
- Desculpa, não queria, mas ñ tem nessa caixa, uma cura para o receio?
- Não meu senhor, ñ tenho curas, só quero ser amada, esse é meu anseio,
- Mas pedaço de céu, eu ñ te toquei por tocar, toquei com vontade de abraçar, e não beijei por beijar, fi-lo por te amar, à minha maneira é certo, apaixonei-me por tudo o que és, sem saber quem és, adoro-te por entender o que dizes, mesmo sem saber porque o dizes, e razões? Não as tenho pra te amar,
- Ai senhor, fico sem graça dessa maneira, vejo que é bem real o que disse, abra a minha caixa, algo me diz, que na minha história, eu vim aqui para lha entregar…
- Serenata luz da vida, será que devo? Tantos desejos, chaves, anseios, tudo o que de melhor tem o mundo está dentro desta caixa, e logo eu? Para a abrir? Mas a verdade é que és um quadro que quero colorir.
 
            E assim foi, peguei naquela pequena caixa de papel… e meio nervoso abri, abismado fiquei, com a irrealidade do que vi…
 
- Mas encanto…a caixa só tem um coração desenhado no fundo, não tem nada no seu interior.
- Senhor, veja bem, mas ñ com os olhos, porque tudo o que os olhos vêm nunca ficará perto do real valor…
 
            Sinceramente só via o pequeno coração desenhado no fundo da caixa de papel…mas estava incrivelmente feliz, e fechei os olhos…ñ poderia ter ideia mais brilhante, recebi o seu beijo….em um momento deslumbrante… e de repente tudo passou na minha frente, conceitos…sonhos, uns reais, outros meramente irreais..sei lá… o mundo.
 
- Meu amor, disse com uma voz calma, sentiste agora? Ñ procure à superfície, fecha os olhos e sente o que está lá no fundo.
- Fizeste-me feliz….obrigado minha pequena estrela cintilante,
- Eu agora sinto-me amada, isso é tão importante,
- Mas e tudo o que dizias ter dentro da caixa…que aconteceu?
- Eram desejos de paixão, meu único senhor, desejos que fizeste florir, em pequenas rosas, já olhas-te em tua volta? Tudo o que tinha na caixa desapareceu, agora temos uma caixa só nossa, por nós criada… eu agora ao teu lado, só me quero sentir amada… 
 
Parecia perfeito de mais o nosso amor, naquele jardim deslumbrante….
 
- Sabias que te amo, meu doce pecado?
- Creio que sim meu amo, sinto-me como se nunca tivesse errado,
- Errado? Como assim? A tua vida tem traços mal corridos?
- Sim, chorei pelos erros, pelas frustrações de quem perdi, são traços partidos,
- Nunca te imaginei dizeres algo assim, pensei que a tua vida fossem só rosas,
- Acha meu senhor? Nunca foi fácil viver, a vida é um ramo de flores, bem espinhosas.
- É bem capaz de o ser, mas é tão bom de se viver,
- É bom ganhar, mas e o que se sente ao perder?
- Bem minha doce encantada, quem perde é porque tentou,
- Não, quem perde é porque não foi capaz, e não ganhou,
- Não é pessimismo a mais minha linda, para uma jovem de pele rosada?
- Pessimismo ou optimismo? Pouco me importo, desde que desenhei a minha caixa o que quero é ser amada,
- Senti-te triste agora, pouco crente eu sei lá, a tua vida nem sempre foi contos de fadas…
- Não minha doce companhia, foram sempre viagem de longas caminhadas,
Encontrei gente má demais, que vence e vence constantemente, a ruindade é uma porta aberta, para muita dessa gente, e o mundo só anda em guerra meu amor, porque há muitos homens assim, onde a moral e os bons costumes são fachada, onde a hipocrisia é como o vento, sopra por todo o lado, enfim…
 
- Mas linda princesa de encantos tamanhos, essa gente vai ter o que merece…
- Nunca acredite em tal coisa meu amor, fique para ver, para ver o que acontece,
- Vamos fechar os olhos, dá-me a tua mão, vamos ver o passado, vais ver coisas que nunca pensas-te ser possível, ficarás destroçado.
- Por mim tudo bem, não me interessa ficar destroçado, importante é ficar do teu lado…
 
Foi então que se iniciou a viagem, a sua mão era a corrente para o sub mundo da verdade, onde os olhos não vêm, onde ninguém quer, e ninguém fica, onde ninguém acredita, vi a propagação duma peste chamada televisão, vi o sucumbir da autoridade, vi subir ao poder a maldade, olhei de perto crianças condenadas ao nascimento, condenadas porque são filhas do sofrimento, HIV vendido em pequenos sacos de rebuçados, a ingenuidade e a descrença continuavam abraçados, e faziam amor eloquente, contagiando-se constantemente, ganhando e perdendo, muita gente, que de olhos vendados continuava a ver e a acreditar que aquele vazio…era realidade.
 
            - É triste princesa, que tenhas de me mostrar o que sempre esteve na minha frente, é triste teres de partilhar tal conhecimento comigo, quem dera nunca to ter pedido...
            - Triste? Triste era nunca mostrar, amargo era ter de acreditar que no mundo não encontraria ninguém para apresentar, o que é a vida e o que é a morte, nos seus caminhos tortuosos
            - A vida e a morte? Mas agora confesso que tenho as ideias confusas, não faz tudo parte da mesma história, entre o que temos e o que perdemos por querer ou sem querer, entre o sol nascer, e a ferida que faz doer?
            - Não meu amo, nunca será assim, essa história nem tem fim,
            - Então o que é a vida…e a morte?
            - A vida? É o amor, aquele aperto forte no peito, a ilusão que te estreito, e que tudo vai durar para sempre,
            - A morte, é a falta disso mesmo, quando nos sentamos no nosso canto abandonados, e recordamos a porta errada que abrimos, e que nos levou a esse canto, meio perdidos, meio esquecidos e completamente sozinhos…
publicado por JF às 13:45

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